Manter FGTS parado pode ser perda de dinheiro


O trabalhador brasileiro que possui carteira assinada, saldo na conta vinculada do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mas ainda não adquiriu a casa própria – pelo contrário, ainda paga aluguel -, está “perdendo dinheiro duas vezes”, afirmam os especialistas.

Isso porque – dizem os analistas – enquanto imóveis valorizam acima da inflação (média de 6% ao ano), o FGTS, com rendimento anual de 3%, acumula perda ano após ano.

A notícia – divulgada esta semana pelo Instituto FGTS Fácil – de que o FGTS fechou 2013 com perda de 5,44% no rendimento, no entanto, serviu como uma espécie de “alerta”.

Presidente do FGTS Fácil – organização sem fins lucrativos criada em 2001 com o objetivo de conscientizar o trabalhador brasileiro em relação ao FGTS -, Mario Avelino explica que o FGTS é um importante instrumento para o trabalhador que “sonha em deixar para trás o aluguel”.

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“Mas é preciso utilizar (o saldo), pois parado, o rendimento do fundo não só acompanha a inflação do período, como ainda fica na metade do caminho”.

Segundo Avelino, como a correção de um empréstimo imobiliário costuma ser de entre 6% e 8% ano (sobre o total contratado), “não faz sentido não sacar o dinheiro, que só rende a metade da inflação”.

“O recurso pode e deve sempre ser utilizado. Seja na compra da moradia própria, na liquidação e ou amortização de parte das prestações do financiamento habitacional”, afirma.

Na avaliação do professor e consultor de finanças pessoais, Ângelo Guerreiro Costa, a inflação em 6% e o rendimento do FGTS em 3% “deteriora o poder de compra do trabalhador com o recurso”.

“Deixar esse dinheiro (do FGTS) parado significa perda. Quem não tem imóvel próprio é aconselhável investir e quem já possui deve, a cada dois anos, utilizá-lo de forma a amortizar o saldo devedor”, afirma Costa.

Financiamento habitacional

Para o vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi), Luciano Muricy, o baixo rendimento do FGTS, porém, é “prejuízo somente do correntista do Fundo”.

Muricy explica que a Taxa Referencial – índice utilizado pelo Banco Central na correção do FGTS – é o mesmo que “atualiza” o financiamento habitacional.

“Portanto, é benéfico para todo o setor da construção e quem compra imóvel financiado (mutuário), pois segura os juros do crédito habitacional”.

De acordo com a assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal (Caixa), para utilização dos recursos da conta vinculada do FGTS na aquisição de moradia, o trabalhador  deve cumprir algumas condições.

Entre elas: contar com o mínimo de três anos, considerando todos os períodos de trabalho sob o regime do FGTS; não ser titular de financiamento imobiliário ativo, concedido no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

Funcionária há seis anos em loja de roupa infantil, em um shopping da cidade, Ana Evangelista, 33 anos, acumula saldo de cerca de R$ 14 mil em sua conta vinculada do FGTS.

Casada, ainda morando de aluguel, e “até a semana passada” sem planos de investir em um imóvel próprio, ela já “considera” a possibilidade de partir para um financiamento.

“Não considero que o meu saldo seja suficiente para dar como entrada em um imóvel. E eu não tenho poupança. De qualquer modo, vou procurar algum investimento possível”.

 

Confira critérios para uso do FGTS

Três anos de trabalho: Para utilizar os recursos da conta vinculada do FGTS na aquisição de moradia, é preciso atender requisitos, como contar com mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS

Valor do imóvel: O valor do imóvel apurado pela Caixa não pode ultrapassar o limite de R$ 750 mil (Rio, São Paulo e Distrito Federal) ou R$ 650 mil nos demais Estados

Valor do FGTS: O trabalhador pode utilizar todo o saldo disponível em suas contas vinculadas, desde que não ultrapasse os limites do Sistema Financeiro de Habitação, da avaliação feita pela Caixa ou do valor de compra e venda

Tempo entre utilizações: Para que o trabalhador utilize o FGTS na modalidade de aquisição, o imóvel pretendido não pode ter sido objeto de utilização do recurso há menos de três anos

Lotes ou terrenos: Podem ser adquiridos com recursos do FGTS, desde que não haja edificação nas propriedades

Imóveis mistos: A utilização de recursos da conta vinculada do trabalhador na aquisição de imóvel misto é restrita à parte  residencial

Localização: O imóvel  tem de estar localizado no município onde o comprador (adquirente) exerce sua ocupação principal; ou da região metropolitana

Fonte: A Tarde

 

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